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Infraestrutura verde na cidade

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Morar em uma grande cidade não precisa ser sinônimo de viver em uma selva de concreto. Com o conhecimento e as ferramentas adequadas é possível contribuir para um ambiente mais equilibrado, limpo e agradável, melhorando assim a qualidade de vida.

 

Telhados verdes, jardins verticais e hortas sustentáveis estão entre as alternativas para levar a natureza para dentro de casa, mesmo em apartamentos ou pequenos espaços.

Em tempos de mudanças climáticas, o telhado verde é uma tendência crescente em casas, prédios e museus na Europa e Estados Unidos. Até coberturas em Manhatan, em Nova York, estão utilizando os jardins suspensos como solução ecológica. No entanto, a técnica ainda encontra poucos adeptos em Goiânia, segundo a arquiteta Luana Lousa.
Luana afirma que o telhado verde é uma excelente opção para criar microclimas na capital, principalmente no período de seca. “Sempre no meio do ano a gente enfrenta uma umidade baixíssima, comparada aos climas de deserto. Imagine o que aconteceria se grande parte das casas tivessem telhados vivos? O espaço ganharia mais umidade e as pessoas adoeceriam menos”, explica a arquiteta.

Outro ponto positivo da solução ecológica, segundo Luana, é que ele ajuda no isolamento térmico. “O morador vai usar menos ar condicionado e, com isso, vai economizar energia”, diz.


ECONOMIA
Os telhados verdes precisam de um sistema de drenagem. Mas o que a princípio é um custo, segundo a arquiteta, é um benefício a médio e longo prazo. “Ele funciona com filtro para captação de água da chuva, que pode ser reutizada para diversas atividades em casa.”
Adepta do que chama de construções vivas, Luana possui uma casa altamente sustentável, o que inclui um ecotelhado, com jardins, placas de energia solar, tubos que aproveitam a luz natural e um sistema de captação e armazenamento de água da chuva. Ela admite que ter uma cobertura sustentável sai, inicialmente, mais caro que a tradicional cobertura de telhas sobre madeira. No entanto, ressalta: “É tão favorável ambientalmente que o custo de implantação se paga”.
A arquiteta afirma que o telhado verde, por absorver e filtrar a água da chuva, pode ser uma solução para problemas como os que são vivenciados atualmente em São Paulo, com enchentes em uma época do ano e falta de água em outro período. “As pessoas precisam reaproveitar a água para o consumo próprio. Captar a água da chuva devia ser lei”, alerta.
Sustentabilidade é a palavra que melhor define a casa de Luana. Além do telhado vivo, ela distribuiu painéis de jardim vertical em diferentes ambientes e fez o móveis com madeira reaproveitada de construções. Pensando na saúde, cultiva uma horta no quintal, com salsa, cebolinha, coentro, alecrim, três tipos de manjericão, pimenta do reino, erva doce, couve, tomate-cereja, rúcula, cenoura, gergelim, açafrão, gengibre, quiabo, jiló, capim-cidreira, amendoim e feijão de corda. “Aqui a gente produz todo o tempero que consome”, conta.


Mas a produção não para por aí. A arquiteta tem uma pomar com diversas espécies, desde frutas nativas até exóticas como framboesa e kiwi. “As crianças fazem a festa”, relata.


Horta em casa ajuda na alimentação

Ter uma horta em casa é essencial para quem quer fugir do excesso de agrotóxico nos alimentos. Mas muita gente desiste da ideia por achar que não tem espaço suficiente ou que é de difícil manutenção.


Mas o engenheiro agrônomo Adib Pereira, diretor do departamento de agricultura familiar da Secretaria Municipal de Trabalho, Insústria, Comércio e Serviços (Semic), garante que além de fácil manejo, uma horta cabe em qualquer lugar, até dentro de apartamentos.
“Basta plantar em vasos e colocar as hortaliças em algum lugar onde ela pegue sol pelo menos um período do dia”, orienta o especialista.
Além de fazer bem à saúde, ter uma horta em casa traz outros benefícios, segundo Pereira.
“Serve como terapia, porque você se sente integrado com a natureza, proporciona relaxamento, melhora a capacidade de concentração e dá a vitalidade que o alimento industrializado não pode fornecer.”


Desde abril deste ano, a Semic promove, periodicamente, cursos gratuitos de hortas urbanas e periurbanas (entre a área urbana e rural) sustentáveis. Dez turmas já foram capacitadas pelo departamento de agricultura familiar. Qualquer um pode se inscrever, basta ficar de olho na página da Semic no Facebook para saber a abertura de novas turmas.


“A gente vê nesses cursos que há uma procura muito grande, com turmas lotadas”, diz Pereira. Segundo ele, a prova do crescente interesse da população pelo tema é que a oficina de hortas sustentáveis foi a primeira com vagas esgotadas na 1º Semana de Ecologia Urbana, a ser realizada de 25 a 30 de novembro, na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO).


Superou a demanda pelo workshop de telhados verdes, a grande vedete do evento, e a palestra sobre jardins verticais.
Para o funcionário público e adepto da agricultura orgânica Abadio José Vicente Silva, de 39, o hábito de cultivar hortas havia praticamente desaparecido entre os goianienses, mas agora está de volta com força total.


“Pesquisas mostram que o brasileiro consome, em média, 5,2 litros de agrotóxico por ano. Como as pessoas estão preocupadas com a saúde, estão despertando para essa possibilidade.”


Ele dedica pelo menos uma hora por dia par cuidar dos canteiros e vasos que ocupam uma área de dois metros por um e meio, no quintal de casa. No espaço relativamente pequeno, ele produz rúcula, mostarda, jiló, capim-cidreira, hortelã, hora-pro-nobis, pimenta, babosa e alface.
“Vou comer algo extremamente saudável e, ao mesmo tempo, acabar com o estresse, porque trabalhar com plantas me ajuda a relaxar”, diz Vicente.



Congresso vai discutir “práticas verdes” na cidade

Discutir a interação entre a cidade e o meio ambiente é o objetivo da 1ª Semana de Ecologia Urbana de Goiânia. O evento, que será realizado nesta semana, a partir de amanhã, e vai até o dia 30 de novembro, na área II da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), na Praça Universitária. A programação traz uma série de opções para quem quer uma vida na cidade mais harmônica com a natureza, entre elas estão a oficinas de hortas sustentáveis e o mapeamento de rotas cicláveis, ambas com vagas esgotadas.
O principal destaque da Semana é o workshop de telhados verdes em pequena escala, ministrado por especialistas britânicos referências no assunto e que tornará o participante apto a construir seu próprio telhado verde, seja em cima de sua própria casa, garagem, escritório ou escola.
Entre os palestrantes está o paisagista goiano Guil Blanche, idealizador do Movimento 90º, que está construindo jardins verticais que margeiam o Minhocão, que liga o Centro de São Paulo (SP) à zona oeste da cidade. A intenção do grupo é construir 8 mil metros quadrados, formando um corredor verde para reduzir a poluição do ar na região.
Acredita-se que se implantados nesta região de São Paulo os jardins verticais poderão reduzir em até 30% a poluição na região, além de agir como um isolante térmico, segundo matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo na semana passada.

 

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Telhados vivos, hortas sustentáveis, permacultura e jardins verticais são alternativa para promover a ecologia urbana

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